Recorda desde a divina matriz o real propósito a que vens AQUI e pelo qual AGORA te manifestas!

Enquanto um diz: Namastê, te saúdo e te reconheço como a sagrada divindade. Em outro lugar, o outro pulsa: In lake´sh, eu sou o outro em você a serviço planetário da compreensão, da aceitação, da cura, da libertação e da realização.

Aquele que tudo vê, nos inspira e responde: "Com visão e esperança danço e canto para o coração divino." Acredito que assim nasce o puro, verdadeiro e divino AMOR, nossa responsabilidade básica.

Aqui e agora é tudo que existe de ETERNO. Respiro e sinto o que simplesmente É e dentro dessa Eternidade, a lembrança IMORTAL: SOMOS UM na Divina Presença.

Seja uno com cada ser-elemento manifesto e a gratidão lhe conecta na fonte de amor e alegria infinita, paz e compaixão infinita, paciência e tolerância infinita.

No espelho do ser, o reflexo D´eus. A união do Todo se traduz num som... OM... AMEM... silêncio!

OM TAT SAT OM...


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Felicidade





1 - Felicidade - Paramahansa Yogananda
2 - Frases e Reflexões de Madre Tereza de Calcutá.
3 - A Felicidade (pequeno estudo)

* * *

Felicidade - Paramahansa Yogananda

Lembre-se de que quando você está infeliz é geralmente porque não visualiza claramente as grandes coisas que decididamente deseja realizar na vida, e também porque não usa, com a perseverança necessária, a sua força de vontade, a sua habilidade criativa e a sua paciência, até que os seus sonhos sejam materializados.

Não pense que uma pequena alegria no silêncio é suficiente. Alegria é mais do que isso. Por exemplo, imagine que você está sendo punido, não lhe sendo permitido dormir quando está desesperadamente necessitado de descanso; e de repente alguém diz: "Está bem, pode dormir agora". Pense na alegria que você sentiria no momento em que estivesse entrando no sono. Multiplique isto por um milhão! Nem mesmo isto descreveria a alegria sentida na comunhão com Deus.


O riso do Deus infinito deve vibrar através do seu sorriso. Deixe que a brisa do Seu amor espalhe seus sorrisos nos corações dos homens. O seu fervor será contagioso.

Buscarei diariamente a felicidade cada vez mais dentro da minha mente e cada vez menos nos prazeres materiais.


A felicidade depende até certo ponto de condições externas, mas principalmente de atitudes mentais. Para ser feliz é preciso ter boa saúde, uma mente equilibrada, uma vida próspera, o trabalho certo, um coração agradecido e, acima de tudo, sabedoria ou conhecimento de Deus.


Você tem o poder de se ferir ou de se beneficiar. Se você não decide ser feliz, ninguém poderá fazê-lo feliz. Não culpe Deus por isto! E se decide ser feliz, ninguém poderá fazê-lo infeliz... Somos nós que fazemos da vida o que ela é.

A verdadeira felicidade vem somente quando a sua vontade, guiada pelodiscernimento da alma, escolher o bem ao invés do mal, a qualquer momento, em qualquer lugar, porque na verdade você quer o bem pelo bem. Então você será realmente livre.


Em vez de estar sempre esforçando-se por obter a felicidade pessoal, tente fazer os outros felizes. Servindo aos outros espiritual, mental e materialmente, você verá as suas próprias necessidades satisfeitas. Ao esquecer-se de si próprio no serviço aos outros, você verá que, sem procurar, a sua própria taça da felicidade estará cheia.


‘’A grande sabedoria é amar ao próximo. Através dele é que chegamos a Deus. Sejamos silenciosos diante do próximo, ouvindo-o; pacíficos, aceitando-o. Não exijamos nada deles, mas muito de nós a fim de podermos servi-los. Essa é a chave da felicidade.’’




Frases e Reflexões de Madre Tereza de Calcutá.

Sobre o propósito da vida
Você sabe o que quer da vida? Talvez ache que não tenha nenhum talento que valha a pena desenvolver. Mas todo mundo tem algum de especial.
Vejamos o que Madre Teresa pensa a respeito:

“Onde quer que Deus o tenha colocado, essa é a sua vocação.
Não é o que fazemos, mas o amor com que o fazemos que conta.” (Madre Tereza de Calcutá)

Uma vez pedi um conselho a meu confessor sobre a minha vocação. Perguntei:
“Como posso saber se Deus está me chamando e para que Ele está me chamando?”

Ele me respondeu: “Você saberá por intermédio de sua felicidade. Se estiver feliz com a idéia de que Deus a chama para servi-Lo e a seu próximo, essa será a prova de sua vocação. O contentamento profundo do coração é como um imã que indica a estrada da vida. É preciso seguí-lo, ainda que você entre em um caminho cheio de dificuldades.” (Madre Tereza de Calcutá)


O amor de Deus
“Deus ama o mundo por intermédio de nós”
(Madre Tereza de Calcutá)

Para resistir às tempestades da Vida
“A Providência sempre vem em nosso auxílio.
Quando a necessidade é imediata, a intervenção da Providência é sempre imediata.
Nem sempre é uma questão de grandes quantias, mas é necessário para momento.” (Madre Tereza de Calcutá)

Para não se sentir entediado da vida
Você não é obrigado a vencer, mas é obrigado a ser verdadeiro. Não é obrigado a ser bem-sucedido, mas é obrigado a viver segundo o que tiver. (Pensamento de Abrahm Lincon)
Diante dessa verdade Madre Teresa apresenta uma solução simples:

“Preencha o seu coração até ele ser capaz de conter o dom de Deus em Si mesmo.” (Madre Tereza de Calcutá)

Faça o melhor que puder
“O que você faz, eu não posso fazer.
O que eu faço, você não pode fazer.
Mas juntos eu e você podemos fazer alguma coisa grande.”
(Madre Tereza de Calcutá)

“Se não pudermos fazer grandes coisas – façamos com grande amor as pequenas coisas.” (Madre Tereza de Calcutá)

Vivendo com equilíbrio
“O meu segredo é muito simples. Eu rezo.” (Madre Tereza de Calcutá)

Construindo a Vida
“Não precisamos realizar grandes obras afim de mostrarmos um grande amor por Deus e pelo próximo. É a intensidade do amor que colocamos em nossos gestos que os torna algo especial para Deus e para os homens.” (Madre Tereza de Calcutá)

Entregue seu coração ao que realmente importa.
“Acredito que uma pessoa que se prende a riquezas, que vive preocupada com riquezas, é na verdade muito pobre.”
(Madre Tereza de Calcutá)

Provérbios 22:1 Um bom nome é mais desejável do que grandes riquezas; ser estimado é melhor do que prata e ouro.

Lidar com a riqueza
“Está nas mãos de Deus dar ou retirar, portanto, partilhe o que você recebeu e isso inclui você mesmo.” (Madre Tereza de Calcutá)

Para ser feliz
“Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor.” (Madre Tereza de Calcutá)

Parte de sua História.

Nasceu para os pobres
Madre Teresa nasceu no sul da antiga Iugoslávia em 1910, foi batizado com o nome de Agnes Gonxha Bojaxhiu, filha de Nicolau e de Rosa. Pouco se sabe sobre sua infância. Na adolescência se destacava pela bela voz e logo se converteu na solista do coro da igreja local. Freqüentou a escola estatal depois ingressou na Congregação Mariana. Desde cedo já se mostrava preocupada com a miséria material e espiritual de tanta gente. O seu sonho era o trabalho missionário junto dos pobres na Índia..


Sua luta
Quando os pobres de Calcutá morriam durante a noite pelas ruas, na manhã seguinte eram jogados no carro da limpeza como se fossem lixo. Ela não conseguia habituar-se a esse terrível espetáculo, ela não aceitava ver as pessoas morrendo de fome ou pedindo esmola pelas ruas. Aos poucos com persistência, sua causa ganhou o apoio do Arcebispo e de sua Madre Superiora. Naturalizou-se indiana. Depois de abandonado o hábito da Congregação, a Irmã Teresa comprou um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz. Este era seu novo hábito, estava vestida como uma mullher indiana.

Começou dando escola as crianças pobres, lições de higiene e de moral. Distribuía aos pobres donativos e palavras amigas. Sua fama espalhou-se rapidamente, a ponto de ser prontamente conhecida onde quer que fosse.

Tudo no início foi muito difícil. Mas sua coragem e persistência abriam-lhe portas.

Cuidando dos moribundos
O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte deles nem sabia o que era sabão e a espuma.

“Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.” (Madre Teresa)

“Os pobres não merecem só que os sirvamos, merecem também a alegria e as Irmãs oferecem-na em abundância.” (Madre Teresa)


A Felicidade (pequeno estudo)

Todos os homens, sem exceção, desejam ter uma vida feliz e se esforçam para conquistá-la. Alcançar a liberdade e a igualdade significa, em última análise, viver uma vida feliz. Muitas guerras foram travadas com esse propósito. Até parece que toda a história humana é a história da luta pela conquista da felicidade. Todos os nossos projetos dirigem-se para esse objetivo, todas as nossas energias são despendidas para alcançá-lo. Parece que a felicidade é o objetivo último da vida.

Vamos examinar o que é essa felicidade que todos nós buscamos, e o caminho que procuramos para conquistá-la.O que é a felicidade? Precisamos conhecer com clareza o objetivo da nossa busca. Se não o conhecemos, nossos esforços talvez sejam em vão.

Os antigos gregos pensavam que a felicidade era o bem. Mas, na Idade Média e na Idade Moderna, o significado formal de Aristóteles – o bem é a felicidade – foi alterado para o significado mais materialista de que a felicidade é o prazer ou a ausência de dor. John Stuart Mill, em sua obra O Utilitarismo, afirma: "Por felicidade, entende-se o prazer e a ausência da dor; por infelicidade, a dor e a ausência de prazer".Stuart Mill estabelece diferenças qualitativas para o prazer. John Dewey faz distinção entre felicidade e prazer, afirmando que a felicidade é permanente e universal, um sentimento do ser como um todo, enquanto que o prazer seria transitório e relativo, um sentimento de alguns aspectos do ser. Aristóteles afirma que o bem do homem – a felicidade – é uma atividade da alma de acordo com a virtude; ou, se houver mais de uma virtude, então a felicidade estará de acordo com a melhor e mais perfeita virtude.

Já Spinoza afirma que a felicidade não é o prêmio da virtude, mas sim a própria virtude.Em sânscrito, a felicidade é chamada de sukha. A sukha inclui tanto o estado relativamente estático a que damos o nome de felicidade quanto a momentos conscientes desse estado, ao qual nossa psicologia se refere como um sentimento prazeroso ou agradável. A sukha aplica-se igualmente à saúde física, ao bem-estar material e à beatitude espiritual.O budismo divide em três o sentimento: sukha, felicidade; dukha, dor;e adukhamasukha, sentimento neutro.

O sentimento neutro é idêntico à felicidade – ou seja, à felicidade do tipo mais sutil. Aos prazeres e à felicidade que têm origem nos cinco sentidos, chamamos de felicidade dos desejos mundanos. A espécie mais sutil de alegria surge em conexão com a prática do dhyana (meditação).No último estágio do dhyana, todos os sentimentos positivos, alegria ou melancolia, fundem-se no sentimento neutro ou indiferença; a perfeita clareza da mente é alcançada e a ignorância é banida, de modo que a consciência fica em estado de completa equanimidade e clareza mental.

Sidgwick afirma que a felicidade budista é um hedonismo universal, porque ela não é egoísta nem altruísta. A missão de Buda não era apenas superar a dificuldade, mas também alcançar o bem e a felicidade de todos os seres: trazer felicidade para si mesmo e para os outros. No budismo, o esforço em direção a um objetivo é felicidade – em contraposição aos ascetas hindus que tudo sacrificam por um objetivo.Vamos agora trazer este tema para o nosso dia-a-dia. Alcançamos a felicidade de muitas maneiras na nossa vida diária. No entanto, podemos dividi-la em três categorias: a felicidade física, a material e a espiritual. Por física, quero dizer que a pessoa é feliz porque é saudável, simpática ou bonita.

Em termos materiais, ela é feliz porque é rica, mora numa boa casa, tem um belo carro, muitas roupas, jóias e uma despensa bem abastecida. A felicidade mental ou espiritual está na amizade e no amor. A felicidade é criada quando a pessoa recebe honras, louvores, simpatia, conforto, etc.Estas condições de felicidade dependem de causas externas. A felicidade é alcançada pela posse de alguma coisa ou pelo recebimento de alguma coisa. Portanto, quando a causa da felicidade deixa de existir ou é destruída, a felicidade também desaparece. Ela está além do nosso controle.

Vejamos alguns exemplos. A sua felicidade física: você é jovem e bonito, é simpático, tem boa saúde e é forte. Com efeito, você é feliz e grato por isso. Mas, vamos supor que você sofre um acidente e fica aleijado, ou doente; a sua felicidade não pode mais depender da sua saúde. E á claro que, com o passar dos anos, sua beleza e vigor irão se desvanecer. Portanto, não se pode depender dasaúde, da beleza e do vigor para a felicidade verdadeira e eterna, embora estes sejam fatores importantes da nossa felicidade.

Devemos alcançar uma outra felicidade que não a física, a fim de podermos desfrutar a vida e ser felizes e gratos, mesmo que estejamos doentes, velhos ou aleijados.Kenkô, famoso monge budista e autor de Tsurezuregusa, disse certa vez:"não vale a pena termos um amigo que nunca experimentou a doença". Uma pessoa saudável, que nunca esteve doente, não compreende o verdadeiro sentido da compaixão e da bondade. Uma pessoa assim tão saudável tende a tornar-se obstinada e a criar atrito e discórdia.

Num caso desses, a saúde não é uma fonte de felicidade, mas sim de problemas. Também é evidente que a felicidade material é incerta e duvidosa. Nesta nossa época regida pelo culto à riqueza, o dinheiro é tudo. As pessoas acreditam que o "onipotente cifrão" pode comprar tudo e todos. Na verdade, o dinheiro é muito importante neste nosso mundo tão consciente dos valores monetários. Mas a felicidade que é comprada com dinheiro irá se dissolver quando o dinheiro acabar. O dinheiro trás felicidade, sim, mas ao mesmo tempo traz miséria. Logo, o dinheiro mão é o caminho para a felicidade. Um belo carro, uma boa casa, boa comida, roupas finas e outros pertences estão na mesma categoria.Estas coisas são importantes e trazem felicidade, mas são duvidosas e incertas; e muitas vezes, trazem o sofrimento através da destruição, do roubo ou da inveja.

Tampouco podemos depender da felicidade trazida pelo amor, pela amizade, pela simpatia e pela bondade dos amigos, pois o amor freqüentemente se transforma em ódio e os amigos em inimigos, já que todas essas coisas são relativas. A felicidade trazida por meios físicos, materiais e mentais é alcançada através de causas externas. E é exatamente por isso que não se pode depender dela.Devemos, portanto, procurar as causas internas da felicidade, não suas causas externas.O budismo nos ensina a olhar o âmago das coisas, em vez de olhar à volta delas. Devemos olhar para o interior de nós mesmos, a fim de vermos o que cria a felicidade.

Por exemplo, ser amado é felicidade, mas amar também é felicidade. É fonte de felicidade receber-se alguma coisa; mas também dar e compartilhar é felicidade. A felicidade do doador é mais rica e permanente que a do receptor. No espírito do verdadeiro dar, compartilhar e amar, não há limites. A felicidade é o próprio amar e compartilhar, não necessariamente seu resultado. A verdadeira satisfação do trabalho é o próprio ato de trabalhar, não o resultado do trabalho. A verdadeira felicidade não é aquela que recebemos de fora, mas sim aquela que é criada dentro de nós.

O homem moderno em geral é um "buscador de resultados". Sua atitude é a de fazer alguma coisa se esta lhe trouxer algum benefício; pois, se não obtiver lucro, de que adianta fazer alguma coisa? Os buscadores de resultados são os buscadores de lucro. Em outras palavras, o homem moderno pensa que o fim é mais importante que os meios. Alguém disse que duas ideologias modernas estão representadas por Stálin e Gandhi: o caminho de Gandhi é que os meios são tão importantes quanto o fim, enquanto, para Stálin, o fim é tão importante que justifica os meios.Os budistas aprendem que todos os passos e todos os meios são muito importantes. Cada meio é, em si, um fim.

Para o artista, o músico e o escultor, o trabalho em si é prazer e felicidade; mas, para aquele que só pensa em dinheiro, o trabalho nada mais é que um meio de ganhar dinheiro. Trabalho significa dor e sofrimento; o sofrimento precisa ser compensado gastando dinheiro: esta é a vida moderna. Sinto muita pena das pessoas que vivem esse tipo de vida. A pessoa mais feliz e afortunada é aquela que gosta de seu trabalho, além de ganhar dinheiro com ele.

O verdadeiro caminho para a felicidade é a percepção da nossa própria vida. É o desabrochar do ser como um todo. O verdadeiro caminho para a felicidade está no dar, não na felicidade do receber. Precisamos encontrar o caminho do amar, não o de sermos amados. A vida do eterno dar, amar, compartilhar e apreciar o trabalho é sempre criativa e infinita, enquanto os outros caminhos para a felicidade levam a fracassos e desapontamentos. A verdadeira felicidade não nos é dada – nós a criamos. Se você é infeliz, não culpe os outros ou o meio ambiente. É a sua mente, a sua atitude, que o fazem sentir-se miserável. Pode ser útil mudar de casa ou de emprego, mas essa não é a cura completa para o seu problema e a sua infelicidade.

A atitude correta e uma mente clara e correta são o caminho para a felicidade.

"Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e,ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um ...porém, se dois homens vêm andando por uma estrada cada um carregando umaidéia, e, ao se encontrarem, eles trocam as idéias, cada homem vai emboracom duas..."

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Kabir, grande sábio




Uma canção do místico Kabir:

Converso com meu amor interior e digo, por que tanta pressa?

Sentimos que há algum tipo de espírito que ama os pássaros, os animais e as formigas – talvez o mesmo que lhe deu uma centelha no útero de sua mãe. Você acha lógico estar andando inteiramente órfão agora?

A verdade é que você mesmo afastou-se e decidiu ir sozinho para a escuridão. Agora está emaranhado em outros e esqueceu o que uma vez sabia, e é por isso que tudo que você faz tem em si algum tipo de falha estranha. As coisas acontecem quando precisam acontecer. As coisas estão destinadas a acontecer no momento necessário. Tudo está indo bem – basta confiar.

Lembre-se da diferença.

O teólogo dirá: “Acredite no conceito de Deus.” O místico diz que não há necessidade de acreditar no conceito de Deus, apenas sentir a harmonia na existência. Isso não é um conceito, não é uma crença, é possível senti-lo, está em toda parte. É quase tangível.

No momento em que você acredita ser um com o todo, há um relaxamento, subitamente há um fluir acontece, você não precisa se controlar, você pode relaxar. Não há necessidade de ficar tenso, porque não há nenhuma meta pessoal a ser atingida por você.

Você flui com Deus. O objetivo de Deus é o seu objetivo, o destino dele é o seu.Você não tem um destino privado – é esse destino privado que traz problemas. Você não percebeu isso na sua própria vida? Tudo aquilo que você faz resulta em fracasso. Você ainda não conseguiu entender – você acredita que não fez as coisa da forma correta e por isso fracassou.

Então tenta um outro projeto e fracassa novamente. Nessa hora você acha que suas habilidades não são boas o bastante, então parte para melhorar suas habilidade e fracassa novamente. Depois você pensa “O mundo inteiro está contra mim” ou “O destino está contra mim”, ou ainda “Sou uma vítima da inveja dos outros”. Você continuará encontrando explicações para seus fracassos, mas nunca irá compreender os motivos reais.

Kabir diz: o fracasso significa você-menos-Deus. Esse é o entendimento de Kabir. O fracasso é igual a você-menos-Deus, e o sucesso é igual a você-mais-Deus. O sucesso está dentro de Deus e com Deus. E, lembre-se, quando digo “Deus” não estou falando de uma pessoa sentada em algum paraíso, mas do espírito cósmico, do Tao, da lei que permeia toda a existência.

A lei a partir da qual você nasceu e para a qual um dia irá retornar.

OM TAT SAT

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma história sobre...A SIMPLICIDADE


O filho duma pobre viúva tinha que atravessar todos os dias um bosque solitário para ir à escola.

O menino tinha medo de atravessar sozinho. Pediu à mãe que pagasse a um criado para o acompanhar. A mãe,que era muito pobre e não podia pagar, disse-lhe que pedisse ele a seu irmão Krishna que o acompanhasse.

Krishna é considerado o Senhor da Selva. O menino assim o fez. Um dia após outro, Krishna acompanhava o menino nas idas e vindas da escola.

Um dia em que se homenageava o mestre, todos os meninos deviam levar-lhe algum presente.

A viúva disse ao filho que não podia dar nenhum presente, que pedisse a Krishna. O menino assim fez. Krishna deu-lhe um jarro de leite para levar ao mestre.

Quando todos os meninos entregavam os seus presentes, o menino pobre via que o mestre não dava atenção aopresente que ele tinha levado, e pedia ao mestre que o aceitasse.

Como não era atendido, o menino insistia uma e outra vez.

Por fim, o mestre disse ao ajudante:
- Recolhe o leite e devolve o jarro ao menino para que não insista mais.

Quando o ajudante esvaziou o leite para outro recipiente, notou que o jarro ficava de novo cheio de leite.Uma e outra vez fez a mesma operação e o jarro tomava a encher-se.

Então o mestre, assombrado, perguntou ao menino quem lhe tinha dado o leite. O menino respondeu muito simples e naturalmente que tinha sido Krishna, que todos os dias o acompanhavamna ida e na vinda da escola.

O mestre pediu ao menino que o levasse a ver esse tal Krishna. O menino, acompanhado pelo mestre e companheiros, foi até à entrada do bosque, onde todos os dias oesperava Krishna. Mas ele não estava lá. O menino chamou-o uma e outra vez, mas ele não aparecia.

Os companheiros riram-se dele, e o menino chorando rogou a Krishna que viesse.
Por fim, Krishna falou-lhe ao ouvido:
- Não apareço porque ao teu mestre falta a simplicidade para acreditar.

A nossa vida deveria ser um constante milagre. Mas falta-nos humildade para acreditar no princípio da simplicidade que rege a vida, no que é a Vida. Não será muito difícil saber porque muitas vezes não temos ninguém para nos ajudar atravessar a bosque ou a selva da vida neste mundo.

OM TAT SAT

O Silêncio


Nós os índios, conhecemos o silêncio.
Não temos medo dele.
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras.

Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles
nos transmitiram esse conhecimento.

"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam.

Esta é a maneira correta de viver.

Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes.

Observa os anciões para ver como se comportam.

Observa o homem branco para ver o que querem.

Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos, e então aprenderás.

Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.

Com vocês, brancos, é ao contrário.

Vocês aprendem falando.

Dão prêmios às crianças que falam mais na escola.

Em suas festas, todos tratam de falar.

No trabalho estão sempre tendo reuniões nas quais todos interrompem a todos, e todos falam cinco, dez, cem vezes.

E chamam isso de "resolver um problema".

Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos.

Precisam preencher o espaço com sons.

Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.

Vocês gostam de discutir.

Nem sequer permitem que o outro termine uma frase.

Sempre interrompem.

Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive.

Se começas a falar, eu não vou te interromper.

Te escutarei.

Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo.

Mas não vou interromper-te.

Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste, mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.

Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei.

Terás dito o que preciso saber.

Não há mais nada a dizer.

Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.

Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes.

Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio.

Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando, e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.

Existem muitas vozes além das nossas.

Muitas vozes.

Só vamos escutá-las em silêncio.



Kent Nerburn
Texto traduzido por Leela,
"Neither Wolf nor Dog.
On Forgotten Roads with an Indian"

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Respirar com amor no Divino, aqui e agora!

“Foi dito:
quando exalamos, o som é ‘Ham’,
ao inalar, o som é ‘Sô’.
‘Ham’ é a forma de Shiva (a Consciência),
‘Sô’ é a forma de Shakti (a Energia)”Shiva Swarodhaya



“Esteja atento à respiração sem estar preocupado com ela.
Respirar profundamente é bom, pode e deve ser aprendido...
Respirar profundamente não deve ser respirar artificialmente”
Omar Ali-Shah – mestre sufi

 

A combinação da respiração com a mentalização de seu som específico aprimora a concentração no ato de respirar. Morihei Ueshiba falava da importância de aun no kokyu: respirar o som primordial OM ou inspirar tudo. No hinduísmo o mantra que corresponde ao som da respiração, inconscientemente recitado quando se respira, é so ham, que quer dizer “eu sou isso”.

Em japonês a inalação é su e a expiração é haku. Juntos formam suhaku que também quer dizer “eu sou isso”, ou, em termos de Aikido: “Eu sou o Universo”. Nossa respiração individual é parte da respiração Cósmica e meditando nela podemos nos unir ao Cosmos.

Assim como diz um provérbio sufi: “... escutamos música e... nela percebemos certos segredos. Tocam[-se] música[s] e se submergem em ‘estados’”.

Dom Basil Pennington, monge da ordem religiosa da Trapa (ordem derivada da ordem de Cister, que por sua vez deriva dos beneditinos), defende a “oração centrante” onde “apenas nos sentamos, ficamos em Deus e usamos uma pequena palavra de amor para descansar mansamente com Ele. A maioria [das pessoas] pensa que somos loucos. E o que temos? Não temos nada, inclusive abandonamos nossos pensamentos, abandonamos tudo. Morremos para o falso ‘eu’".

Essa prática é descrita também no livro “O Caminho de um Peregrino”, onde um strannik (peregrino russo) buscava compreender as palavras de São Paulo: “Orai sem cessar” (I Ts 5:17), “orar em todas as circunstâncias, pelo Espírito” (Ef 6:18), e “em todo lugar, levantando as mãos puras” (I Tm 2:8). Passagem semelhante existe também no Cântico dos Cânticos, a bela poesia de Salomão que na realidade relata o enlevo amoroso da alma humana por Deus: “Eu dormia, mas meu coração velava” (Ct 5:2).
Mas como orar sem cessar, em todas as circunstâncias inclusive dormindo??! A maioria de nós nem imagina como isso é possível e essa ignorância vem de muito tempo: “porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém” (Rm 8:26).

“Não é necessário estar sempre meditando, nem conscientemente experimentar a sensação de que estamos falando com Deus, não importando o quanto isso seja bom... Permita que seu coração aceite como vindo de Suas mãos tudo o que lhe acontece... Um coração como esse estará orando continuamente”. Madre Teresa de Calcutá (1.910-1.997)
A tradição do budismo Shingon, as escolas hindus de Mantra-yoga, o budismo tibetano Vajrayana, a meditação transcendental de Maharishi Mahesh Yogi e muitos outros, utilizam mantras (palavras ou frases curtas) como forma de oração. Aqui o ensinamento é o mesmo: de se concentrar no sentido do mantra.

Mas quando não há nenhum, se concentra na sonoridade do mesmo, ou se sincroniza com a respiração, até se chegar a um outro estado de consciência. Na seita Amida do budismo se repete a frase Namu Amida Butsu (Glória ao Buda Amida) indeterminadamente, até que a frase fique a reverberar por si mesma, sem influência da mente, do “eu”.

“O japa (recitação) é de três tipos: manasa, upamsu e vachika. Manasa japa é inaudível, mesmo para quem o está fazendo. Upamsu japa é aquele que somente pode ser percebido pela pessoa que o está vocalizando. Vachika japa é aquela repetição em que o mantra é audível. O upamsu japa é dez vezes e o manasa japa é mil vezes mais poderoso que o vachika japa. Japa em velocidade muito baixa pode produzir doenças. Japa demasiado rápido compromete o progresso. Portanto, o japa deve fazer-se de forma contínua e uniforme, como as pérolas de um colar” Mantra Yoga Samhita

De qualquer forma, a concentração numa palavra, numa frase ou numa oração (que pode ser um mantra hindu ou budista, ou uma jaculatória cristã, etc.), visa a direcionar a mente a um só ponto e controlar o livre fluxo dos pensamentos. Mas não se deve dar importância absurda à questão do controle dos pensamentos. Não se deve brigar com os pensamentos, quando notarmos que a mente vagueia a esmo, distraindo-se do objetivo central.

Essa é a natureza da mente e ela capta, a todo o momento, pensamentos externos e forma outros internos, com base em aspectos nossos que devem ser trazidos à consciência e resolvidos, numa sucessão contínua e ininterrupta. Desse modo não devemos achar que está tudo perdido se a mente insiste em se distrair.

Os pensamentos internos, que tem como base nossa memória e nossos sentimentos envolvidos com fatos do cotidiano, devem ser analisados buscando a se entender o seu mecanismo. Transforma-se, então, a oração em uma meditação analítica (Cf. adiante). Quanto aos pensamentos que continuam, os não originados em nosso interior, a nossa atitude deve ser de apenas os deixar passar e voltar a nossa atenção à respiração ou à oração.

Observar o seu surgimento e o seu desaparecer, continuamente, sem apegar-se a nenhum deles. Apegar-se a um pensamento é ir junto com ele e vivê-lo, mudando o foco de nossa concentração para eles. Quando ficamos a observá-los colocamos nossa consciência além dos pensamentos, num ponto em que parece que estamos separados do corpo, totalmente concentrados na oração, embora percebamos também, num nível inferior, as distrações infindáveis da mente. Assim pode-se sentir a presença do Divino enquanto a imaginação vagueia pelo mundano.

OM TAT SAT
AMEM

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia do Professor - Educador



"Um mestre funciona como um agente catalisador, cuja simples presença estimula...

É como quando o sol nasce pela manhã e os pássaros imediatamente começam a cantar. Eles surgem voando de todos os lados, celebrando e dando boas-vindas ao novo dia através das canções. O sol não age diretamente sobre eles, mas algo acontece; o ambiente que ele cria faz com que os pássaros se sintam vigorosos, jovens e vivos. As flores começam a desabrochar...

O sol não está se dirigindo a cada flor, forçando-a a abrir, pelo menos não de uma forma direta, entretanto os seus raios dançam ao redor da flor, dando-lhe calor e encorajando-a delicadamente. As flores têm de ser tocadas de uma forma suave. Se você forçar suas pétalas a se abrirem elas não resistirão. Você conseguirá fazer com que se abram, mas ao mesmo tempo elas morrerão. O sol simplesmente cria o clima no qual elas podem desabrochar.

Um desejo interior surge dentro delas, algum instinto misterioso entra em sintonia com o calor do sol. E as flores se abrem e começam a exalar sua fragrância. Exatamente como o trabalho do mestre...
Ele não pode entregar a você aquilo que conhece, mas pode criar um certo campo de energia no qual suas pétalas podem se abrir, no qual as suas sementes são encorajadas, em que você pode criar coragem suficiente para dar o salto, no qual o milagre torna-se possível."

*Texto: O Mestre e o Sol de Osho - Zen: The special transmission

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A Meditação no Vazio

"Fecho os olhos.
Lembro que o sonho
ainda não se perdeu!"
(tirado do msn de um amigo, Adriano)

E respondeu uma amiga, Carla:
"Quando fecho os meus olhos,
vejo os teus olhos,
quando vejo os teus olhos,
abro o meu coração..."
“Meditando centrado no vazio e no não vazio, livre de pensamentos e sem movimento, o sábio fica firme e estável, profundo como um poço d’água” Kaulajnana Nirnaya, 84

“Quando você sabe que está orando, você não está orando adequadamente”
David Steindl-Rast, monge beneditino

“Seja um nada. ... O amor subsiste apenas no nada. Quando você está vazio, há amor. Quando você está cheio de ego, o amor desaparece. O nada é a fonte de tudo, o nada é a fonte do infinito... nada é Deus” Mohan Chandra Rajneesh – o Osho (1.931-1.990)

Ponto mais alto a ser praticado, a meditação no Vazio pode ou não ser precedida de várias das etapas anteriores. Pode-se resumir o caminho percorrido até aqui em estágios a serem percorridos para que se obtenha o silêncio do corpo, o silêncio da mente e o silêncio do coração, de forma que se possa ouvir o silêncio do Espírito.

Na visualização criativa, se deixa, indômita, a mente correr livre, mas contida numa certa direção. Procura-se centrá-la no mundo da imaginação, o mundo próprio da mente. Com o passar do tempo se consegue centrar a mente em palavras, sua sonoridade, seus sentidos e interpretações. Entra-se no caminho da Bhakti-yoga, o caminho da devoção e do amor divinos, presente em todas as religiões.

Para outros tipos de personalidade, há uma identificação com caminhos racionais, que possam ser investigados intelectualmente. Assim se centra a mente no processo investigativo da própria psique, das Leis da Natureza ou das Verdades Universais presentes em todas as tradições filosóficas e religiosas. É o caminho que os hindus denominam Jnana-yoga, o caminho da Sabedoria Divina.

E para os que julgam não ter tempo para devoção ou para o uso do intelecto, pois se julgam atarefados demais, há o caminho do trabalho abnegado, onde a mente é centrada em cada ação executada. Como dito antes, a atenção no acordar, no escovar os dentes, no alimentar-se, no trabalhar, no caminhar, nos exercícios físicos, na prática de artes marciais e nos rituais, religiosos ou não, etc., conhecido pelos hindus como Karma-yoga, visa a se viver o momento presente, centrado no que se está fazendo no momento, podendo se concentrar também no significado da ação, ou não.

Com o passar dos anos, e com a evolução espiritual pessoal, muitos tipos de meditação, que antes nos eram benfazejas, não nos interessam mais, e não conseguimos mais nos concentrar na meditação dirigida, por exemplo. Santa Teresa d’Ávila afirma que quando o buscador vislumbra o divino dentro de si, passa a encontrar enorme dificuldade em se concentrar nas práticas de visualização criativa que antes realizava.

Então ocorre o que a ciência atual chama de salto quântico: de repente, sem nenhum controle pessoal, se experimenta, durante as práticas de meditação dirigida, o Vazio, o Silêncio, o Nada. Começa a verdadeira experiência meditativa da percepção direta da Verdade.

Morihei Ueshiba, o fundador do Aikido, a chamava de odo no kamuwaza (técnicas divinas de se estar colocado no vazio), um estado natural de liberdade de todo o esforço consciente em que técnicas extraordinárias surgem espontaneamente. A manifestação física do verdadeiro vazio é sumikiri: “perfeita clareza de corpo e de mente”.

A verdadeira meditação é aquela em que se pára a mente e se experimenta o “silentium mysticum” de alguns autores católicos. São João da Cruz (1.540-1.591) o denomina de “a chama viva do amor” que possuía todo o seu ser e o lançava num completo esquecimento de si, numa quietude e profunda concentração para além de todo o pensamento: um “sono espiritual”. Santa Teresa d’Ávila, como vimos, a chama de oração de quietude e Madre Tereza de Calcutá de prece silenciosa.

Essa técnica é conhecida na filosofia hindu como Raja-yoga. Na Escola budista chinesa T’ien-t’ai, esse tipo de meditação é conhecido como Chi-kuan, que visa parar a mente (chih) e aperfeiçoar a consciência. Técnicas de introdução ao êxtase místico até a completa imobilidade que faz “perceber a Realidade” são praticadas pelas tradições sufis Qadiri e Suhrawardi. É focar a concentração no espaço entre a expiração e a inspiração, entre um pensamento e outro. É nesse local que reside o vazio.

Para o Buddha, a libertação e a experiência da Realidade última somente viria quando, após ultrapassarmos nosso barulho interno, ultrapassássemos também a paz interior e a tranqüilidade, ganhos com a prática da Meditação Dirigida. Mergulhar no Vazio além da tranqüilidade.

Trazer para a vida cotidiana, para todas as nossas atividades, a todos os momentos de nossa vida, a visão do que é real, nos trará o nosso autoconhecimento e o desenvolvimento de nossa visão intuitiva. O interesse desperto levaria à atenção e esta aumentaria o interesse, que aumentaria a atenção, continuamente. Atenção, vigilância e consciência plena conduziriam à completa libertação da mente, ao Nirvana.

“Uma palavra disse o Pai, que foi seu Filho [o Verbo] e esta Palavra o Pai a diz no eterno silêncio e em silêncio é preciso que pela alma ela seja ouvida” São João da Cruz (1.540-1.591)

A Sociedade dos Amigos procurou por uma espiritualização maior do cristianismo. Acreditam que Deus está em todos os seres humanos, uma realidade viva na forma de uma luz interior. Seu culto, silencioso, dura uma hora, numa forma de meditação que descrevem como sendo uma “relação de amor entre Deus e a alma“, só interrompida quando alguém experimenta o impulso interno da palavra, a palavra provinda do Espírito Santo, ouvida reconditamente por cada um.
“Em sua forma mais simples, a prece é uma atitude do coração – uma questão de ser, não de agir” Larry Dossey

Aprende-se a orar com o coração, a mais alta forma de oração devocional, descrita anteriormente. De repente esse lento processo cede, devido a uma brusca ruptura do filtro, causando uma percepção direta da Verdade, ou experiência mística, para em seguida se fechar parcialmente, novamente. E esse processo continua até que não exista mais o filtro e se fique com o canal permanentemente aberto à superconsciência, à Consciência Crística e, por fim, à Consciência Cósmica.

Veja mais em http://www.orion.med.br/o2tx79.htm


e seja feliz entre o vazio e a plenitude, entre o tudo e nada, simplesmente ser: ETERNO e IMORTAL!

OM TAT SAT

sábado, 20 de setembro de 2008

Poema de Papaji




Namaskar,

Antes do começo você é pura Consciência.
Você é a totalidade do Amor no Amor e o vazio do Alerta.
Você é a Existência e a Paz além da Paz.
Você é a tela onde tudo é projetado.
Você é a Luz do Conhecimento.


Aquele que deu o conceito de criação ao criador.
Esqueça-se daquilo que puder ser esquecido e reconheça a si mesmo
como aquilo que não pode ser esquecido.

Você é o substrato onde tudo se move... deixe que se mova.
Você é Agora, você é o Agora.
Que “eu” existe que possa estar fora desse Agora?
Você é a Verdade e somente a Verdade é.

Você é Inatividade.
Atividade é o seu reflexo, a sua Brincadeira, o seu mundo.
O Sol é Inatividade, os espelhos são atividades.

Você é este precioso Momento, a Presença em Si,
qualquer brisa que te toque santificará até mesmo demônios.

Você é Aquele que está Consciente
da Consciência de objetos e idéias.
Você é aquele que é até mesmo mais Silencioso que o Alerta.
Você é a Vida que precede o conceito de vida.
A sua natureza é o Silêncio
e não é alcançável, É desde sempre.

“Espaço” foi sua primeira noção
e você tomou Sat-chit-ananda* como sua primeira forma.
O mundo é a sua mente
e Tudo brota do seu Coração.

Aqui e Agora é o seu coração.
Como Amor você aceita a caverna desse Coração
de onde todo tempo e espaço surgem.

Você é o Interior que não está nem dentro nem fora.
A mente não chegando a lugar algum está Dentro,
nenhuma parede está Dentro.
Você é a Existência em todos os átomos,
conheça isso e você será Felicidade.

Você é o Vazio, a Substância Suprema:
remover o Vazio do Vazio deixa apenas o Vazio, pois não há nada além Dele.
Tudo surge, dança ao redor e retorna a Isso.
Assim como o Oceano se torna uma onda para dançar
assim você é esse Vazio dançante!
Nada está fora desse Vazio e portanto Ele é a Totalidade.
O Vazio está entre o é e o não é.
Para ser Livre você precisa da firme convicção
de que você é esse Substrato, essa Paz, esse Vazio.

Você é aquilo onde todos os acontecimentos acontecem.
O que acontece, deve acontecer; assim, permaneça indiferente como Paz.
Seja Pacífico e essa Paz se espalhará.
O que surge da Paz é Paz
e o que surge da confusão é confusão.
Então Seja a Paz e dê isso ao Universo.
É tudo o que você deve fazer.
Mesmo pensar “eu sou Paz” perturba essa Paz.
Então apenas fique quieto; Seja como você é.

Você é “Sendo”, não “tendo Sido”,
não “seria”, mas “Sendo”.
Você é a Atemporalidade na qual nenhuma morte pode entrar
pois onde não há nenhum tempo, não há nenhuma morte.
Essa Atemporalidade é Agora e Isso é Ser.

O Ser está sempre brilhando. EU SOU é a Luz do Ser.
Esse Diamante não pode se esconder e não pode nunca ser escondido.
Quando não há mente, a face brilha de Beleza e Inocência.
Apenas simplesmente fique sossegado; apenas seja o que você é.


Sri H. W. L. Poonja (Papaji)




*Sat-chit-ananda:
Sat: O aspecto transcendental do Princípio Último em atividade.
Chit: Consciência Universal.
Ananda: Êxtase.

Formam uma trindade: existência, consciência e êxtase.